Suplementos alimentares possuem substâncias não testadas
Um número de suplementos comercializados para a perda de peso e aprimoramento do desempenho atlético contêm um composto sintético que é semelhante à anfetamina. Tal composto, de acordo com o estudo, não foi testado em pessoas. Além disso, a Food and Drug Administration dos EUA sabe da presença da droga nos suplementos há dois anos, mas ainda não alertou os consumidores sobre o problema, nem agiu para tirar os produtos do mercado, diz o estudo.
“A FDA fez um trabalho duríssimo para descobrir esse novo tipo de estimulante em suplementos, e depois e não conseguiu informar o público”, disse Pieter Cohen, professor assistente de medicina na Harvard Medical School e coautor do novo estudo. “É inexplicável e indesculpável”, disse Cohen.
Em 2013, diz o ‘LiveScience’, a FDA analisou 21 suplementos dietéticos que foram rotulados como contendo Acacia rigidula, um arbusto nativo do Texas. Os resultados mostraram que nove dos complementos continham um composto chamado beta-metilfenetilamina, que é quimicamente semelhante às anfetaminas. Embora a agência tenha publicado seus resultados em uma revista acadêmica, não emitiu nenhum alerta aos consumidores, nem pediu para que os fabricantes retirassem os produtos das lojas.
Em um novo estudo, Cohen e seus colegas descobriram que 11 suplementos (52%) continham a substância. Com base na dose recomendada dos suplementos, as pessoas que utilizam os produtos poderiam consumir até 94 miligramas da droga em um dia, dizem os pesquisadores.
Os efeitos da droga na saúde das pessoas ainda não são conhecidos, mas há razões para pensar que o composto pode representar riscos, disse Cohen. “A estrutura é tão semelhante à anfetamina que é provável que se comporte como ela no organismo”, continuou. Estudos da substância realizados em animais na década de 1930 e 1940 verificaram que o composto aumenta a frequência cardíaca e pressão arterial em cães e gatos, o que sugere que a droga pode causar riscos nas pessoas, especialmente se elas trabalham em excesso.
“Os médicos devem permanecer vigilantes para pacientes que apresentem toxicidade depois de praticar esportes e utilizar suplementos de emagrecimento, pois eles podem conter estimulantes não divulgados, como esse em questão”, escreveram Cohen e seus colegas na edição de 7 de abril da revista Drug Testing and Analysis.
Apesar de não ser proibida para o comércio, a substância não é permitida pela Agência Mundial de Anti-Doping, sendo, desta forma, proibida para atletas profissionais. Cohen criticou a falta de estudos para avaliar os efeitos da droga. “Não acho que deveríamos sentar à espera que alguém morra antes de tirar esse produto do comércio, onde ele nem deveria estar”, disse Cohen.
A FDA tem autoridade para remover suplementos com Acacia rigidula do mercado, ainda que não possua nenhuma evidência de que eles são prejudiciais. Isso porque a Acacia rigidula nunca foi usada na medicina herbal ou em remédios à base de plantas, o que significa que é ilegal usá-lo em suplementos dietéticos.
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